Cães
Displasia da Anca em Cães
Ocorre quando a articulação da anca não se desenvolve adequadamente, levando a um encaixe anormal entre a cabeça e a cavidade da anca. Este desajuste provoca desgaste excessivo na articulação, resultando em inflamação, dor e deterioração progressiva da articulação ao longo do tempo.
Por Dr. Isabella Miao
12 min read
A displasia da anca é uma condição ortopédica comum que afeta os cães, particularmente as raças de maior porte (Displasia da Anca em Pastor Alemão). Esta condição dolorosa pode reduzir drasticamente a qualidade de vida do cão e é difícil para os tutores presenciarem. Então, o que é exatamente a displasia da anca e por que razão é uma preocupação tão grande para os tutores de animais? Neste artigo, vamos explorar o que é a displasia da anca, as suas causas, sintomas e opções de tratamento disponíveis para ajudar os tutores de cães a compreenderem e gerirem melhor esta condição.
O que é a Displasia da Anca em Cães?
A displasia da anca é um distúrbio do desenvolvimento da articulação da anca. Ocorre quando a articulação da anca não se desenvolve corretamente, levando a um encaixe anormal entre a cabeça do fémur (a "bola" da anca) e o acetábulo (a "cavidade"). Este desajuste causa desgaste excessivo na articulação, levando à inflamação, dor e deterioração da articulação ao longo do tempo.

Sinais de Displasia da Anca em Cães
Os sinais de displasia da anca podem variar em gravidade e podem não aparecer até que o cão atinja a maturidade, tipicamente entre os 6 e os 18 meses de idade. Os sintomas comuns incluem:
Manqueira: Os cães com displasia da anca têm frequentemente uma claudicação visível, especialmente nas patas traseiras.
Diminuição da Atividade: Podem tornar-se menos ativos, relutantes em brincar, correr ou saltar.
Dificuldade em Levantar-se: Levantar-se de uma posição sentada ou deitada pode tornar-se um esforço.
Rigidez e Dor: Os cães com displasia da anca podem mostrar sinais de desconforto, como gemidos ou ganidos quando tocados na zona da anca.
Postura Estreita: Os cães afetados podem ter uma postura estreita nas patas traseiras, assemelhando-se a um "salto de coelho".
Perda de Massa Muscular: Os músculos das patas traseiras podem começar a atrofiar devido à redução do uso.
Quais são os Primeiros Sinais de Displasia da Anca em Cães?
Um dos sinais mais comuns é a manqueira ou o favorecer de uma ou ambas as patas traseiras. Esta claudicação pode ser intermitente e pode tornar-se mais pronunciada após atividade física ou exercício.
Os cães com displasia da anca podem mostrar sinais de rigidez, especialmente ao levantarem-se de uma posição deitada. Também podem ter dificuldade com atividades como subir escadas ou saltar.
Como é que os Cães com Displasia da Anca se Sentam?
Os cães com displasia da anca podem achar desconfortável ou difícil sentar-se da maneira tradicional, onde baixam as ancas e dobram as patas traseiras por baixo deles. Em vez disso, podem adotar posições alternativas de sentado que sejam menos dolorosas ou mais confortáveis para eles. Aqui estão algumas posições de sentado que os cães com displasia da anca podem usar:
Sentado Preguiçoso: Nesta posição, o cão senta-se com uma ou ambas as patas traseiras estendidas para o lado em vez de dobradas por baixo. A articulação da anca afetada sofre frequentemente menos tensão nesta posição, tornando-a menos dolorosa para eles.
Sentado de Rã: Alguns cães com displasia da anca sentam-se com ambas as patas traseiras abertas para os lados, assemelhando-se a uma rã. Esta postura permite-lhes evitar colocar tanta pressão nas articulações da anca.
Sentado de Lado: No sentado de lado, o cão senta-se com uma pata traseira dobrada enquanto a outra permanece estendida para o lado. Esta posição também pode reduzir a tensão na anca afetada.
Meio Deitado: Em vez de se sentarem, alguns cães podem escolher deitar-se parcialmente, com a parte traseira apoiada num lado enquanto a parte dianteira permanece erguida. Esta posição pode proporcionar alívio do desconforto na anca.
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É importante compreender que estas posições alternativas de sentado são adotadas pelos cães com displasia da anca como forma de aliviar a dor ou o desconforto. Não deve tentar forçar um cão com displasia da anca a adotar uma posição de sentado tradicional, pois pode ser doloroso para ele.
O que Causa a Displasia da Anca em Cães?
A displasia da anca em cães é uma condição complexa e multifatorial, com fatores genéticos e ambientais a contribuírem para o seu desenvolvimento. Os principais fatores que causam displasia da anca em cães incluem:
1. Fatores Ambientais
Embora a genética desempenhe um papel significativo, os fatores ambientais também podem contribuir para o desenvolvimento e gravidade da displasia da anca. Estes fatores incluem:
Crescimento Rápido: Cães que experimentam um crescimento rápido durante a fase de cachorro, muitas vezes devido a sobrealimentação ou dieta inadequada, podem ser mais propensos a desenvolver displasia da anca. Isto é especialmente relevante para raças grandes e gigantes.
Exercício Excessivo: O excesso de esforço e exercícios extenuantes numa idade jovem podem potencialmente contribuir para a displasia da anca, pois colocam stress adicional nas articulações em desenvolvimento.
Obesidade: Ter sobrepeso ou obesidade pode exacerbar os sintomas da displasia da anca ao colocar tensão adicional nas articulações da anca. O controlo de peso é crucial para cães com displasia da anca.
Lesões: Lesões traumáticas ou quedas que afetem a articulação da anca podem acelerar o desenvolvimento da displasia da anca ou agravar condições existentes.
2. Nutrição
Uma nutrição adequada é essencial para o desenvolvimento de articulações e ossos saudáveis nos cachorros. Alimentar com uma dieta equilibrada concebida para a etapa específica da vida e tamanho da raça do cão pode ajudar a reduzir o risco de displasia da anca.
3. Genética
A genética desempenha um papel significativo no desenvolvimento da displasia da anca. Cães com predisposição genética têm maior probabilidade de desenvolver a condição. As raças que são comumente afetadas pela displasia da anca incluem raças grandes e gigantes, como Labrador Retrievers, Pastores Alemães, Golden Retrievers, Rottweilers e São Bernardos, entre outros. No entanto, pode ocorrer em qualquer raça ou cão mestiço.
Como Tratar a Displasia da Anca em Cães?
O tratamento da displasia da anca em cães depende da gravidade da condição e da idade, tamanho e saúde geral do cão. O objetivo do tratamento é aliviar a dor, melhorar a função articular e aumentar a qualidade de vida do cão.
1. Medicamentos
O seu veterinário pode prescrever medicamentos para gerir a dor e a inflamação associadas à displasia da anca. Os medicamentos comuns incluem anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e analgésicos.
Os ingredientes ativos comuns encontrados em medicamentos prescritos para gerir a dor e a inflamação associadas à displasia da anca em cães incluem:
Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs):
Carprofeno
Deracoxib
Firocoxib
Etodolac
Analgésicos (Opioides):
Tramadol
Codeína
Hidrocodona
2. Suplementos Articulares
Suplementos nutricionais como glucosamina para cães e suplementos articulares de sulfato de condroitina ajudam a apoiar a saúde articular e a reduzir a inflamação. Dietas especiais formuladas para a saúde articular podem ser recomendadas pelo seu veterinário. Estas dietas contêm tipicamente ingredientes como ácidos gordos ómega-3 (óleo de sardinha para cães) e antioxidantes que podem ajudar a gerir a inflamação e apoiar a função articular.
3. Opções Cirúrgicas
Em casos graves de displasia da anca que não respondem bem a tratamentos conservadores, a cirurgia pode ser considerada. As opções cirúrgicas incluem:
Substituição Total da Anca (THR): A THR é um procedimento cirúrgico que substitui a articulação da anca danificada por uma articulação artificial, proporcionando um alívio significativo da dor e melhoria da mobilidade.
Excisão da Cabeça e Colo Femoral (FHO): A FHO envolve a remoção da parte esférica da articulação da anca, permitindo que os músculos criem uma articulação "falsa". É frequentemente considerada para cães menores ou para aqueles para quem a THR não é uma opção.
Osteotomia Pélvica Tripla (TPO) ou Sinfisiodese Púbica Juvenil (JPS): Estes são procedimentos cirúrgicos realizados em cães jovens para reposicionar e estabilizar a articulação da anca.
4. Fisioterapia e Reabilitação
Exercícios de fisioterapia, incluindo exercícios de amplitude de movimento e atividades de fortalecimento muscular, podem ajudar a melhorar a mobilidade articular e apoiar os músculos circundantes. A hidroterapia (natação) também pode ser benéfica para cães com displasia da anca.
Exercícios para Cães com Displasia da Anca
Exercitar um cão com displasia da anca requer consideração especial e deve ser feito com cuidado para minimizar a dor e o desconforto, mantendo simultaneamente a força muscular e a mobilidade articular. Aqui estão alguns exercícios de baixo impacto que podem beneficiar cães com displasia da anca:
Natação: A natação é um excelente exercício para cães com displasia da anca porque proporciona um treino corporal completo sem colocar stress excessivo nas articulações da anca. Pode ajudar a melhorar o tônus muscular, aumentar a aptidão cardiovascular e reduzir a rigidez articular. Garanta que o seu cão tem um colete salva-vidas para segurança, se necessário.
Passeios: Passeios curtos e frequentes com trela podem ajudar a manter a mobilidade articular e manter os músculos ativos sem sobrecarga. Evite inclinações íngremes e terrenos acidentados. Opte por terreno plano e passeios mais curtos se o seu cão mostrar sinais de fadiga ou desconforto.
Passadeira Subaquática: Se disponível, a terapia com passadeira subaquática pode proporcionar exercício controlado num ambiente flutuante, o que reduz o impacto nas articulações da anca enquanto permite o fortalecimento muscular.

Como Transportar um Cão com Displasia da Anca?
Transportar um cão com displasia da anca requer cuidado e consideração para minimizar o desconforto e lesões adicionais. A displasia da anca é uma condição onde a articulação da anca não se desenvolve corretamente, levando à instabilidade e dor potencial. Eis como pode transportar um cão com displasia da anca:
Use um Arnês de Suporte
Invista num arnês de suporte concebido para cães com displasia da anca. Estes arneses têm frequentemente pegas que facilitam levantar e suportar a parte traseira do seu cão. Procure um que seja confortável para o seu cão e que sirva adequadamente.
Levante com Cuidado: Ao levantar o seu cão, use a técnica adequada para evitar lesionar as costas e minimizar o desconforto do cão. Eis como fazer:
a. Aproxime-se do seu cão pelo lado, de modo a ficar virado na mesma direção.
b. Dobre os joelhos e mantenha as costas direitas.
c. Coloque um braço sob o peito do cão, logo atrás das patas dianteiras, e use o outro braço para suportar a parte traseira.
d. Levante o seu cão suavemente e devagar, certificando-se de fornecer suporte às ancas e patas traseiras.

Considere um Carrinho de Mobilidade
Em casos graves de displasia da anca, o seu veterinário pode recomendar um carrinho de mobilidade ou cadeira de rodas para cães para ajudar o seu cão a mover-se confortavelmente.

Prevenção da Displasia da Anca em Pastor Alemão
Ao selecionar um cachorro Pastor Alemão, é crucial começar por escolher um criador reputado que priorize a saúde dos seus cães. Certifique-se de que o criador realiza rastreios de anca e cotovelo nos seus cães reprodutores para reduzir o risco de transmitir genes de displasia da anca aos cachorros.
Procure cachorros com uma linhagem forte que inclua cães com boas pontuações de anca e um histórico de articulações saudáveis. Os Pastores Alemães experimentam um crescimento rápido durante o primeiro ano, pelo que é essencial apoiar o desenvolvimento saudável das articulações. Opte por uma comida para cachorros especialmente formulada para raças grandes para ajudar a controlar as taxas de crescimento.
Durante os primeiros meses de vida do seu cachorro, evite exercício excessivo, particularmente atividades de alto impacto como saltar e correr em superfícies duras, pois as articulações ainda estão em desenvolvimento. Em vez disso, incentive brincadeiras controladas e exercícios que sejam suaves para as articulações, como natação e passeios curtos.
Por fim, considere adicionar suplementos articulares como glucosamina e condroitina à dieta do seu cão, especialmente se recomendado pelo seu veterinário, para promover ainda mais a saúde articular e o bem-estar geral.
Perguntas Frequentes
Com que idade aparece a displasia da anca em cães?
A displasia da anca em cães pode manifestar-se em diferentes idades, mas é mais comumente notada em cachorros entre os 5 meses e 1 ano de idade. No entanto, os sintomas podem aparecer mais cedo ou mais tarde dependendo da gravidade da condição e de fatores individuais.
Com que idade é que os Pastores Alemães desenvolvem displasia da anca?
Em muitos casos, os sintomas da displasia da anca começam a tornar-se aparentes nos Pastores Alemães durante o início ou meio da idade adulta, tipicamente entre 1 e 3 anos de idade. No entanto, alguns cães podem desenvolver sintomas mais cedo, enquanto outros podem não mostrar quaisquer sinais de displasia da anca até serem mais velhos.
Quão comum é a displasia da anca em Pastores Alemães?
De acordo com a Animal Orthopaedic Foundation, 19 por cento dos Pastores Alemães desenvolverão displasia da anca, mas alguns casos são mais graves do que outros.
Quanto tempo vivem os Pastores Alemães com displasia da anca?
Em média, os Pastores Alemães com displasia da anca podem viver cerca de 7 a 10 anos. Com tratamento e gestão adequados, muitos Pastores Alemães com displasia da anca conseguem levar vidas relativamente normais e confortáveis.
A displasia da anca é hereditária?
Sim, a displasia da anca tem um componente hereditário. Tende a ser mais comum em certas raças, e cães com histórico familiar de displasia da anca têm um risco mais elevado de desenvolver a condição.
A displasia da anca é dolorosa em cães?
Sim, a displasia da anca pode ser dolorosa para os cães. A gravidade da dor pode variar desde um desconforto ligeiro até dor severa, dependendo do grau de laxidão da articulação da anca e da presença de alterações secundárias como osteoartrite. Cães com displasia da anca podem exibir sinais de dor como manqueira, relutância em mover-se, vocalização e mudanças de comportamento.
O "splooting" é um sinal de displasia da anca?
O "splooting" é uma postura engraçada e bonita onde o cão estica as patas traseiras para trás enquanto está deitado. Não é um sinal de displasia da anca. Muitos cães fazem "splooting" sem quaisquer problemas nas ancas. No entanto, se o seu cão estiver a sentir desconforto ou dor nas ancas, pode evitar o "splooting" ou outras posições que coloquem tensão nas articulações da anca.
Quanto tempo pode um cão viver com displasia da anca?
Cães com displasia da anca podem levar vidas plenas com gestão e tratamento adequados. A esperança de vida de um cão com displasia da anca depende de vários fatores, incluindo a gravidade da condição, a idade do cão, a eficácia do tratamento e a sua saúde geral. Com os cuidados apropriados, muitos cães com displasia da anca podem viver uma esperança de vida normal.
Um cão pode curar-se da displasia da anca?
A displasia da anca é uma condição genética em cães onde a articulação da anca não se desenvolve corretamente, levando a um encaixe impróprio dos ossos da anca na cavidade articular. Pode causar dor, manqueira e artrite nos cães afetados. Embora a displasia da anca não possa ser completamente curada ou revertida, existem várias formas de gerir e melhorar a qualidade de vida dos cães com esta condição; consulte os tratamentos acima mencionados.
Conclusão
A displasia da anca é uma condição comum e dolorosa que afeta muitos cães, particularmente aqueles com predisposição genética. A deteção precoce, a gestão adequada e as medidas preventivas são fundamentais para melhorar a qualidade de vida dos cães afetados. Se suspeita que o seu cão pode ter displasia da anca, consulte um veterinário para determinar o melhor curso de ação e garantir o conforto e bem-estar do seu amigo peludo.
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Sobre a autora
Isabella Miao, Médica Veterinária
Médica Veterinária
A Dra. Isabella Miao é uma veterinária compassiva e dedicada, com mais de 10 anos de experiência na prestação de cuidados excecionais a animais de estimação de todos os tipos. Especializada em medicina preventiva e cuidados de emergência, a Dra. Miao tem uma profunda paixão por promover a saúde e o bem-estar geral dos animais. Os seus vastos conhecimentos, aliados à sua abordagem empática, conquistaram a confiança e a admiração tanto dos tutores de animais de estimação como dos seus colegas.
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